Tríduo Pascal: Instituição da Eucaristia e a humildade no Lava-Pés

A Quinta-Feira Santa chega para os católicos como um momento dedicado a uma profunda reflexão e celebração, marcando o início do Tríduo Pascal, um período sagrado que nos convida a mergulhar na memória dos eventos que transformaram o mundo. O padre Paulo Vital, pároco do Santuário Nossa Senhora da Abadia, enfatiza que este é um dia de oração e contemplação, uma oportunidade para recordar os ensinamentos e o sacrifício de Jesus Cristo.

Segundo o padre Paulo, o Tríduo Pascal é a semana mais significativa para os cristãos católicos. É um tempo para absorver os ensinamentos de Jesus, não apenas teoricamente, mas através dos gestos concretos que Ele realizou, especialmente evidenciados na Quinta-Feira Santa, seguidos pela Sexta-Feira da Paixão, passando pelo Sábado Santo e culminando na ressurreição gloriosa celebrada no Domingo de Páscoa.

Celebração presidida pelo Bispo Dom Dimas Lara Barbosa, marcada pela bênção do Óleo do Crisma. (Foto: Padre Paulo Vital)

Neste contexto, a Quinta-Feira Santa assume um papel especial, com a celebração presidida pelo Bispo Dom Dimas Lara Barbosa, marcada pela bênção do Óleo do Crisma, utilizado em diversos sacramentos da Igreja Católica e pela renovação dos compromissos sacerdotais pelos padres. É um momento de profunda reverência e comprometimento espiritual para todos os envolvidos.

À noite, inicia-se o Tríduo Pascal no Santuário Nossa Senhora da Abadia, em Campo Grande, com a Missa da Ceia do Senhor, conhecida como a instituição da Eucaristia. Este é um momento crucial em que a comunidade católica relembra o gesto de partilha de Jesus com seus discípulos, quando Ele partiu o pão e compartilhou o cálice, instituindo assim a Santa Eucaristia como memorial de seu sacrifício.

Além disso, durante esta celebração, ocorre o tocante rito do Lava-Pés, no qual o celebrante, seguindo o exemplo de humildade de Jesus, lava os pés de doze pessoas selecionadas. É um lembrete poderoso do serviço desinteressado e da humildade que todos os seguidores de Cristo são chamados a praticar em suas vidas.

Na celebração do ano passado, a paroquiana Ana Lúcia Carvalho foi fortemente tocada depois de ter sido escolhida para ter seus pés lavados pelo sacerdote. 

“É indescritível o que eu vivi. Eu não sei se dá para colocar em palavras o que eu senti no dia. Ali estava sendo representado o momento da Santa Ceia onde Jesus lavou os pés dos apóstolos em demonstração de humildade, como disse o padre na homilia: era o escravo quem lavava os pés das pessoas que iam à casa dos outros, era aquele que não sabia fazer outra coisa, não sabia cozinhar, não sabia limpar. Não é bom nisso, não é bom naquilo, então vai lavar os pés dos visitantes, sabe? E foi essa função que Jesus escolheu para expressar a servidão dele para nós. Na hora, ali, para mim, não era o sacerdote, era Jesus lavando os nossos pés. E eu me emociono só de lembrar. Porque foi muito lindo. Eu não consigo descrever o amor que eu senti dentro do coração. Aquele amor que esquenta mesmo. Eu acho que eu nunca tinha sentido um amor daquele jeito porque a presença de Jesus ali, para mim, foi muito viva. Foi uma sensação muito concreta, muito emocionante”, testemunhou Ana.

O padre Paulo enfatiza a importância de participar plenamente do Tríduo Pascal, comparecendo às celebrações na quinta, sexta e sábado, para uma experiência litúrgica completa. Na Sexta-Feira Santa, a Igreja não celebra missa, mas sim a comovente Celebração da Paixão, momento de contemplação profunda do sacrifício de Cristo e adoração à Cruz.

O Tríduo Pascal chega ao seu ápice com a Missa do Sábado Santo e culmina com a alegria radiante do Domingo de Páscoa, quando celebramos a ressurreição de Cristo. É um tempo de esperança renovada e fé fortalecida, lembrando-nos de que, assim como Cristo venceu a morte, também nós podemos alcançar a vida eterna por meio dele.

A Missa da Ceia do Senhor no Santuário Nossa Senhora da Abadia está marcada para ter início às 19h.

Vivianne Nunes

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